quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Carta - Nô stopa - Valendo cada segundo de vida
Este artigo foi escrito pelo jornalista Carlos Alberto Alves e publicado pelo site do jornal Correio dos Lagos da cidade de Passos em Minas Gerais. É maravilhoso o reconhecimento de pessoas que realmente estão ligadas no que acontece na música por este imenso país. E olha que eu nunca fui em Passos... Mas o que mais me impressionou foi ter sido citado ao lado de nomes ilustres, os quais respeito muito! Obrigado Carlos Alberto, meu "xará".
08-Out-2007
O CD “Samba, Seresta e Baião” , de Consuelo de Paula(de Pratápolis) continua entre os melhores discos brasileiros dos últimos tempos, ao lado de Beto Dourah; Maurício Tizumba; Pereira da Viola; Tribalistas e outros poucos fora da esquizofrenia pop rock que virou a MPB.
Até quem ostenta a bandeira de musica sertaneja tem feito um paupérrimo pop rock, bem produzido tecnicamente, com mídia favorável, o que abre especulações pertinentes quanto ao rio econômico que corre nos bastidores desta indústria artística nem sempre cultural, como se pode perceber.
Em tempos de internet, o universo musical ficou mais acessível! Pode-se obter rapidamente o que acabou de ser lançado no outro extremo do planeta; garimpar em arquivos inimagináveis, aquelas relíquias que sonhávamos e que nunca chegavam por aqui... Porém, tanta facilidade pode ofuscar os conceitos de qualidade e não há mais tanto tempo pra ouvir música concentradamente; curtindo, observando e absorvendo cada detalhe. Com tanto a ouvir, além do que já conhecemos, seria necessário mais tempo do que dispomos. Isto nos faz mais seletivos e exigentes quanto ao tempo, que é a própria vida que temos!
Particularmente, evito o desperdício de vida, atento-me só ao que soe melhor e/ou diferente da mesmice que tomou conta da realidade, pela facilidade de se gravar e divulgar o material. Não garimpo mais novidades; os amigos já sabem e só me indicam o que já filtraram. Daí, numa dessas, acabei conhecendo um disco de Nô Stopa onde tudo é perfeito: a poesia das letras; os arranjos; a dinâmica (tão desprezada por músicos jovens) resgatada, aparentemente com atenção especial e, para fechar, o melhor guitarrista brasileiro que ouvi nos últimos vinte anos. Tudo soando gostoso de ouvir!
Nô Stopa! Pouco sei sobre esta grande artista; nem vi qualquer foto dela ou dos músicos. Não é obviamente MPB tradicional, nem é só rock progressivo. Apenas é diferente; é apenas bom demais! E quando falo do guitarrista, é bom levar em conta que sou guitarrista há trinta anos e considerar a existência de escolas que a cada ano formam uma legião de guitarristas imbuídos de virtuosismo; punheteiros de notas e arpejos, como se ser bom guitarrista se resumisse a ser veloz. Nô Stopa e seus músicos valem cada segundo de atenção e audição. Pode investir!
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